Minions e Monstros (2026) - Crítica

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Minions e Monstros, o terceiro filme da franquia Minions e o sétimo do universo de Meu Malvado Favorito, é parte de uma série que, sinceramente, eu não curto muito. Quer dizer, Meu Malvado Favorito e, em partes, o segundo, são bons filmes. Com o coração no lugar, algumas mensagens e algum traço de história e personalidade em meio ao humor escatológico que foi avançando desgovernadamente após o sucesso estrondoso dos Minions. Depois disso, a marca desandou legal.

De modo que não fui com muita esperança para Minions e Monstros, que traz na direção Pierre Coffin e Patrick Delage, que dirigiram basicamente todos os filmes do universo, fora, misteriosamente, Minions 2. Mas, para minha surpresa, e considerando que minha expectativa era bem baixa, o longa realmente possui muitas qualidades e tem alguma função além de fazer crianças rirem com as besteiras dos Minions - apesar de elas estarem lá o tempo todo.

Eu não fazia ideia do que se trataria o filme e, de início, já fui fisgado por se tratar de uma narração que também homenageia o cinema, especialmente a transição do cinema mudo para o sonoro. Algumas famílias fazem uma tour por um estúdio em que a guia vai mostrando e comentando filmes clássicos da Universal, até chegar a dois Minions, James e Henry, os quais o público desconhece. Então, ela resolve contar sua história, um artifício clássico do cinema.

A partir disso, Minions consegue construir provavelmente a narrativa mais adulto-agradável da franquia, especialmente para cinéfilos. É divertido porque ele começa pela eterna busca dos Minions por um vilão a quem servir e, nisso, há várias divertidas e rápidas passagens dos pequenos seres por variados vilões do mundo, como um ciclope e um feiticeiro. Você consegue sentir como os animadores se divertem com a infinidade de possibilidades que os Minions trazem em sua sandice, especialmente no humor característico deles, o slapstick físico. E não há como negar que algumas cenas são realmente hilárias e você não consegue segurar o riso, por mais bobas e galhofeiras que sejam.

É como um passeio pela história do mundo, até que os Minions chegam a Hollywood e caem, inadvertidamente, no mundo do cinema, onde são descobertos por um diretor e dois chefes de estúdio que parodiam executivos cínicos e ditatoriais. Aí vira uma festa, né? Sem limites e com nada sendo impossível. Porém, talvez pela primeira vez, mesmo com uma escala infinita de gags, você sente amor e paixão na direção e na história, por como os Minions passeiam por rápidas homenagens a clássicos do cinema mudo, incluindo os dois principais ícones do cinema slapstick que serviram de base para a criação dos seres amarelinhos, Charles Chaplin e Buster Keaton. Referências que se encaixam bem na trama e vão tirar risos carinhosos e divertidos de quem as reconhecer.

No meio de tantos Minions, a direção consegue destacar dois, especialmente Henry e James, sendo este o contador de histórias que se apaixona pelo cinema, destacando-os dos demais sem perder a essência dos capangas adoráveis. Bobões, sim, mas com coração e sonhos. Acho que é a primeira vez que isso acontece, e se torna inevitável torcer para que James consiga realizar seus objetivos. É quase como uma autobiografia de algum dos realizadores sobre como ele se apaixonou pelo cinema, com muita liberdade criativa.

O filme se move quase que em esquetes de humor, primeiro pela história mundial com os vilões, depois pelo mundo do cinema, de modo que sobra muito pouco de uma história linear em si, que daí, de fato, abrange os monstros do título, que são a parte menos interessante e inspirada do longa, quase como uma desculpa para justificar um longa-metragem e amarrar a história de forma bem preguiçosa. E não jogar ao cinema uma coletânea de curtas ou episódios de série, como em Moana 2 e Mandaloriano e Grogu. Nessas perseguições, sim, o filme se aproxima mais do lado escatológico e demente dos Minions, mas, por sorte, essa é a menor e mais rápida porção do filme, e mesmo ela consegue extrair bons momentos.

Minions e Monstros é um leve assopro para uma franquia que parecia não ter mais nada para mostrar e contar, além de servir apenas como caça-níquel para crianças bem pequenas. Este filme, além de reforçar o fôlego dos Minions mais de uma década e meia após sua apresentação, mostra, de forma bem metalinguística, que, para uma boa história, sempre haverá lugar. Simples, simpático, bem bobo, mas com mais amor do que nunca, Minions e Monstros talvez seja o melhor filme da franquia desde o Meu Malvado Favorito original.

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