Toy Story 5 (2026) - Crítica

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Eu nasci no mesmo ano do lançamento de Toy Story, então, literalmente, nunca existi em um mundo sem a franquia e pude acompanhar tanto sua evolução quanto a da própria Pixar. O estúdio, especialmente após a compra pela Disney, alterou consideravelmente seu fluxo e estratégia comercial, apelando para um sistema mais industrial e nostálgico. Uma série de filmes, no entanto, parece ter ganho mais carinho e atenção que outras: Toy Story.

Enquanto, mesmo com artistas originais do auge do estúdio, séries como Carros, Procurando Dory e Universidade Monstros pareceram mais produções automáticas para render um retorno fácil a partir de uma IP consagrada, Toy Story foi privilegiada com arcos consistentes e uma progressão técnica e narrativa com propósito. Mesmo o criticado Toy Story 4, por mais que o terceiro fosse, de fato, um final perfeito, traz sentido em sua trama, sem contar um trabalho cuidadoso com emoção e humor.

Com a volta de Andrew Stanton ao comando da direção e do roteiro, Toy Story 5 já parece uma aposta mais segura que seus predecessores. Responsável por Wall-E e Procurando Nemo, Stanton teve uma fase menos inspirada no cinema live-action, mas atua aqui de guia a McKenna Harris, que vem construindo sua trajetória nos estúdios da Pixar e Disney desde Frozen II.

Isso não quer dizer, entretanto, que a equipe dê como garantia a trajetória de Toy Story e aja com preguiça. O esmero técnico não serve somente como exibicionismo ou ego. É bastante curioso comparar as cenas de brincadeira de Toy Story 1, mais literais e práticas, com o que fora feito nos filmes subsequentes. Aqui, é usada uma bela e criativa arte em forma de aquarela que expressa bem o quão variável e ilimitada pode ser a imaginação de uma criança, bem como a dedicação dos brinquedos a seu "papel". 

Assistir a Toy Story 5 é resgatar uma pureza e encanto que vão se perdendo com a idade e as idas frequentes ao cinema, em que os esquemas narrativos e estruturais se tornam mais evidentes e repetitivos. Não somente pelo apego emocional com suas figuras, mas ao perceber o cuidado e carinho com que são tratados, além de se sentir respeitado por um enredo propositivo e contemporâneo, sem negligenciar aspectos mais sentimentais para isso, ao mesmo tempo em que não se rende ao melodramático.

Toy Story é, acima de tudo, sobre amadurecimento, evolução. São brinquedos que surgem a cada capítulo, engrandecendo o catálogo da franquia, sem, para isso, ter de substituí-los. É natural como Jessie assume o protagonismo da história, com Buzz e Woody ao fundo, em seus momentos. O suficiente para não sentirmos falta deles, enquanto a vaqueira, introduzida em Toy Story 2, mas que fora subutilizada nas sequências, é, junto ao Bala no Alvo, carismática o suficiente para sustentar o maior tempo de tela e a movimentação do filme em si.

É legal, também, ver como Bonnie ganha mais profundidade que Andy jamais teve, de certa forma justificando com mais embasamento a devoção dos brinquedos a ela, além de servir como personagem de fato, e menos como um totem distanciado. A jornada de Bonnie espelha a de Jessie, e é essencial para o texto e sua imersão em discutir a questão da tecnologia e das telas que abduzem a inocência e a criatividade das crianças. O abandono do analógico não é mera formalidade, mas um combo que prejudica a interação, a imaginação e a humanidade dos pequenos.

O texto não cai, inteligentemente, em maniqueísmos ou declarações apocalípticas, pois é capaz de reconhecer as virtudes e como, usada da forma correta e com moderação, a tecnologia pode ser benéfica. Somente reconhece que, de modo geral, não a estamos sabendo regular. Ainda que não toque diretamente nisso, são ecos do uso descontrolado de IA sobre o artesanato manual e como esta nunca poderá, de fato, substituí-la.

Toy Story 5 entra no panteão dos melhores da Pixar pois, mesmo sem ter o frescor da novidade absoluta, consegue trazer magia e encanto a estes queridos brinquedos. Ele consegue divertir e emocionar, evoluir seus personagens - brinquedos e Bonnie - ao mesmo tempo em que faz um comentário e retrato que dizem respeito à natureza do filme, de seu público-alvo e do mundo em si.

Diferente dos filmes 3 e 4, aliás, ele não encerra uma jornada em definitivo e, com seu esmero, deixa continuações não somente abertas, mas o espectador ávido por elas. Fica difícil não desejar rever nossos queridos companheiros no futuro, ainda mais sabendo que, aparentemente, a franquia é imune a filmes ruins e sempre afiada no que fazer.

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