O Que Andei Assistindo - Ainda Estou Aqui, Megalópolis, O Aprendiz, Robô Selvagem, Coringa 2, Alien: Romulus.

Pois bem, sumi. Finalmente perdi. Eu sempre gostei mais de escrever do que produzir qualquer outra mídia. A mim, é mais fácil e prazeroso, e um bom exercício de ego e mental. Mas como disse, eu perdi. Perdi pro tempo, pra preguiça, pro cansaço, pro desânimo. Tudo isso e um pouco mais. Mal tenho conseguido ver filmes. Quase nada fora lançamentos (e olhe lá). Algumas vezes, iniciei uma crítica e abandonei. Noutras, pensei nelas mentalmente, mas nunca me sentei redigir. Seria o fim? Acabei direcionando muito mais pro TikTok. Sem muito retorno, é verdade. Mas ao menos posso dizer que algo fiz.

Bem, hora disso mudar. Não voltar a ser como era. Falta tempo e disposição. Mas ao menos deixar algum comentário sobre o que confiro, né. Ideias e opiniões ainda tenho. Textos menores, compactos. Até, quem sabe, espero, reviver a glória de outrora. A paixão pela sétima arte persiste.

Hoje, conferi ao nacional "Ainda Estou Aqui", e tive uma conexão tão forte com o longa, tão profunda e intensa, que não poderia deixar de registrar alguma reflexão. E nada melhor do que aproveitar o embalo e fazer um pouco mais, não é mesmo?! Então aqui vão alguns pitacos soltos sobre filmes que andei vendo. 

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Ainda Estou Aqui

Acima de tudo, um filme sobre interrupção. Um nado tranquilo interrompido pelo som de helicóptero. Um passeio com amigos interrompido por uma blitz violenta. O lazer em família interrompido por veículos militares. Tudo culminando na interrupção definitiva. Essa sem volta. Da vida. Da rotina. Do amor. Uma vida interrompida. E então mais seis. Todas sem explicação. Sem uma despedida. É um filme tocante, sem apelar ao melodrama, e poderosíssimo em seu silêncio, calcado numa atuação introspectiva e intensa de Fernanda Torres - sem subestimar um grande e afiado elenco. 

Num país de tão pouca memória, além do exercício artístico - ou até mais -, Ainda Estou Aqui é um ato documental de monumental sensibilidade, descolorindo a vida da família após a repressão militar os pegar de frente, com uma combativa atitude da personagem de Torres para não moldar e definir a vida dos filhos a partir disso. Acho que dessa vez, a indicação ao Oscar vem. 

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Megalópolis

Me passa uma sensação parecida com a primeira parte de Horizon, de Kevin Costner. Dois custosos projetos dos sonhos de seus realizadores, custeados por eles mesmos devido ao desinteresse dos estúdios em projetos tão megalomaníacos e caros. E, infelizmente, trôpegos e bastante equivocados. Em tantas décadas e versões do roteiro, um mundo em completa metamorfose, cada vez mais rapidamente, é compreensível que Coppola tenha tentado fazer o projeto de sua vida aqui. Talvez uma última dança. Se vê seu ânimo, disposição e paixão. O filme, entretanto, com tanto a dizer, desliza sem aprofundamento em quase todas suas discussões. Há de se ver uma possibilidade de versão do diretor, estendida, quem sabe até em minissérie, em que haja reverberações maiores para esmiuçar e dar campo para tantas ideias, que na duração dos cinemas, soa confusa, desconectada e monótona, onde principalmente os personagens, estes os condutores de tudo, soam como fantoches vazios e desinteressantes. Uma pena. 

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O Aprendiz

Jamais pensei que gostaria tanto deste. Um Breaking Bad na figura do - e não queria escrever isso - novo presidente dos Estados Unidos. Mais do que o alinhamento ideológico, entretanto, me surpreende os méritos artísticos para contar tal trama, que mesmo ficcional seria bastante divertida e provocativa. Sendo espelhada numa figura contemporânea tão única - mitomaníaca, megalomaníaca, opulente e tantos outros superlativos - apenas enriquece o retrato. Um destaque inesperado para Sebastian Stan e o trabalho de coloração do filme, cada vez mais obscuro e granulado conforme o protagonista se perde. 

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O Robô Selvagem

Mas olha, vou fazer um comentário curioso: espero que não façam uma animação melhor que essa em 2024. Quero muito que a obra, do mesmo diretor de Lilo & Stitch e Como Treinar o Seu Dragão, vença o Oscar. Com uma animação estilosa e dinâmica, marcando um novo estilo camaleônico da Dreamworks, vide Gato de Botas 2, O Robô Selvagem é um novo baita acerto do realizador. Inventivo, carismático e cheio de coração, sem abdicar da profundidade nem subestimar os pequenos. Serve para todos os públicos e merecia uma divulgação mais digna. 

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Coringa: Loucura a Dois

Acho o primeiro já bastante subestimado. Lembro a histeria que se seguiu ao lançamento, de gente chamando o filme de perigoso, que iria causar problemas sociais. Passado tanto tempo, percebe-se a histeria coletiva. E o pouco que sobra no discurso de Phillips fora as atuações. Neste, nem isso. Phoenix está modorrento e deprimente em um personagem esvaziado pelo ego de um realizador se achando mais esperto e filosófico do que é de fato. Nem preciso comentar uma Lady Gaga perdida e sem propósito. Se havia um discurso para contestar o primeiro longa, este não somente não o desbanca, como arruína parte do mérito questionável daquele. 

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Alien: Romulus

Gosto da franquia. Ou vivo sequestrado por ela numa esperança de reviver algo como O Oitavo Passageiro, para mim um dos melhores filmes de todos os tempos - e gosto bem de Prometheus. E olha, tematicamente e em atmosfera, talvez esse Romulus seja quem melhor lhe busque inspiração - sem réplica. Um bom elenco e protagonista, uma boa plot e um design bem trabalhado para buscar claustrofobia. Peca e se sabota bastante, porém, em dois elementos cruciais: o uso de IA para reviver, inexplicavelmente, Ian Holm, e a saturação do Xenomorfo. Deixa uma criatura, ou poucas. Pra que inflar de bicho e somente esvaziar o senso de urgência?! Por isso que desgosto de O Resgate, que muitos acham até melhor que o original. Mas o saldo ainda é positivo e espero mais. 

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E é isso. Esperem mais posts assim em breve. De resto, me sigam no Letterboxd. 

2 comentários:

  1. Gostei bastante de Robô Selvagem. Sobre concorrentes, parece que tem um: Flow. Não vi ainda. Robô Selvagem me lembrou de Lifi Uma Galinha na Selva. Premissa semelhante.

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  2. Enfim vi a maioria dos filmes. Cosmópolis vou ficar devendo, não tenho previsão de ver ainda, e pelo visto nem vale a prioridade.

    Ainda Estou Aqui concordo com tudo. Filmaço. E olha só, ganhou o Oscar de melhor filme internacional. Vi no cinema. Tinha pouca gente, era véspera de Natal, e conseguir ver ele com todo mundo calado aumentou a experiência [pq infelizmente ir ao cinema hoje em dia é suportar infelizes que não param de falar]. As cenas em silêncio dizem muito. Filme pesado.

    O Aprendiz vou ter que discordar. Achei um filme chato e sem graça. Desinteressante. Não é ruim, mas não me conquistou em nada. Sei lá.

    Robô Selvagem já tinha comentado antes. Bom demais. Vi no cinema. Era quem eu achava que ganharia o Oscar. Mas acabaram fazendo um melhor (rs) ou tão bom quanto, embora bem diferentes entre si, que eu comentei tb e só vi depois: Flow. Vi ano passado ainda e esses dias fui ao cinema rever. Demoraram bastante pra lançar no Brasil. Ganhou enfim o Oscar de melhor animação. Foi merecido. Cinema demais.

    Coringa 2 concordo sobre o resultado lamentável que foi esse longa. Mas acho o primeiro muito bom. Revi umas vezes de lá pra cá em ocasiões diferentes e continuei achando ótimo. Mas o segundo é fraquíssimo e põe tudo a perder. Parece uma tentativa de tirar sarro com o público que entendeu errado o primeiro, só que não conseguiu nem mesmo crédito pra isso. Vi no cinema e eu, que gosto de musicais, me senti incomodado, querendo pular algumas partes, de tão fraco e tão raso esse filme é. Não tem história.

    Alien Romulus gostei tb. Consegue entregar um bom entretenimento que a franquia tava precisando. Vi no cinema duas vezes (pq me chamaram pra ver depois e eu já tinha visto, daí fui mesmo assim). Incrível como ver o mesmo filme duas vezes em poucos dias faz perceber algumas coisas que não tinha percebido antes. E tb como o brilho da tela varia de sessão, o que já notei nas pouquíssimas vezes que fiz isso. Só não curti mesmo a cena lá de desviar do sangue dos aliens, muito forçado (e a munição infinita que "tá acabando" rs). Tb gosto de Prometheus, que muitos odeiam. E O Resgate é filmaço pra mim.

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