Supergirl (2026) - Crítica

Quase um ano depois do Superman de James Gunn, o DCU finalmente tem a sua sequência, e a sensação mesmo é de que nada mudou daquele confuso DCEU do Snyder, aquela sensação de quem chegou atrasado demais para a festa, de algo que já está longe de seu auge; morrendo, como é o caso do subgênero de heróis.

Eu gostei de Superman, e, num período tão embrionário aos planos do estúdio, apostar em um novo diretor foi um erro de cálculo, pois Craig Gillespie tem bons filmes no currículo, mas não desse escopo e estilo. Foi um erro considerável, me repetindo, como a Marvel: chamar diretores renomados por filmes alternativos (pense em Chloe Zhao e Anna Boden; mesmo Sam Raimi não conseguiu se adaptar às restrições de Kevin Feige, apesar de sua experiência nos Homem-Aranha solos).

Uma pena, pois Milly Alcock está ótima como Kara. A atriz traz uma energia caótica e jovial contagiante, ao mesmo tempo em que transparece humanidade e fragilidade em certos momentos, mas pouco do que está ao redor se sustenta e a auxilia. É um contraponto saudável ao Superman de Corenswet, mais calcado em inocência e uma bondade plena. Seu arco também discute novas facetas da imigração, ao representar Kara como alguém forçada a deixar seu planeta já madura, tendo mais dificuldades de se adaptar a um novo local, diferente de Clark, que chegou bebê. O roteiro, porém, pouco discute qualquer temática mais sensível ou política fora isso, se contentando com um entretenimento mais básico. É um contraste considerável a Superman, mais ousado e exitoso em ambas as vertentes.

A direção e a montagem, no entanto, são uma bagunça e de uma falta de imaginação e criatividade cansativas, lembrando os Homem-Aranha do Tom Holland, filmes feitos no automático, tentando se manter no carisma do herói. É tudo muito sintético e escurecido, não deixando espaço para impacto real nas cenas de ação ou sequer alguma coreografia, com cortes incessantes e rápidos demais para serem aproveitados.

Isso acaba exalando o CGI exagerado, ao contrário do Superman do Gunn, que por vezes apelava demais ao artificial e transparecia isso, mas era mais equilibrado com elementos orgânicos, um design de produção mais iluminado e contrastante, além de interações melhores com os personagens do filme. Já em Supergirl, fora Krypto e as carismáticas e simpáticas aparições de Corenswet como Clark, há pouca profundidade e carisma para auxiliar Kara. E isso também serve ao Lobo de Momoa, divertido e caricato, mas sendo basicamente um engodo referencial aos fãs, com pouco impacto e serventia à narrativa.

É frustrante notar o desperdício conceitual que Supergirl traz, com tanto potencial. O fato de o filme se passar todo no espaço normalmente serviria como uma carta branca criativa à direção e à equipe técnica, mas o que vemos são repetições visuais de planetas e cenários empobrecidos e poeirentos, sem ter sequer inspiração ao esboçar elementos obviamente advindos do cyberpunk e da space opera, como foi com os primeiros Star Wars. Se percebe similaridades com Mad Max, mas da mesma maneira que Coringa e Rei da Comédia se assemelham. Seja no design de produção ou nas criaturas que preenchem a tela, não há inventividade suficiente perante o possível.

Acho que, para um universo que começa e quer se estabelecer num cenário já pouco favorável, são escolhas artísticas ruins. A direção inexperiente no gênero, a montagem e mesmo o trabalho técnico são pouco eficientes para dar encanto e profundidade ao universo. Gunn falou que optou por Supergirl por o roteiro se sobressair aos demais apresentados, o que me deixa preocupado para a sequência disso tudo.

Nenhum comentário