Os Melhores Filmes que Assisti em 2025
E cá estamos, finalizando mais um calendário. Ano passado, por questões que me fizeram até pensar em encerrar o blog, acabei não publicando esta lista, somente um story breve. Felizmente, mesmo após deixar de escrever sobre muita coisa que merecia e que eu gostaria, consegui retornar com ânimo e entregar um bom número de materiais. Tudo isso estando na Austrália há mais de 6 meses, vejam só.
O que achei que se tornaria impeditivo se tornou propulsor. Mais do que dobrei minha média de filmes do ano e, certamente, foi o período em que mais compareci ao cinema. Foram 78 vezes. Aqui onde estou morando, há muitas reexibições, além de um circuito mais similar ao americano e muitos, muitos festivais alternativos e regionais de cinema. Logo, tive um acesso privilegiado a longas que, no Brasil, eu só veria no torrent ou então num lançamento tardio, após o buzz da temporada de premiações.
Sempre haverá desafios. Mas foi um bom ano para o cinema em si, talvez não tanto para animações — infelizmente, meu estilo favorito da sétima arte. Ao todo, tive 138 entradas no diário do Letterboxd. Dessas, 110 foram primeiras experiências. Claro que eu gostaria que fosse mais, mas a nova realidade é essa; afinal, meu trabalho infelizmente não envolve assistir filmes e preciso encaixar isso como for na rotina. Fico um pouco frustrado por deixar de assistir muita coisa que gostaria e talvez deixar essas listas mais vazias, previsíveis e clichês do que o desejado para um crítico de cinema. Mas é o que é.
Começando em ordem decrescente, irei listar, como sempre, os melhores inéditos que assisti de 2025, outros anos, menções honrosas e decepções. Boa leitura!
E, ah, digredindo aqui, um adendo: não levem essas listas em absoluta seriedade. Considerem qualquer filme mencionado um must-watch. A ordem, poucas vezes, é exata. E nunca imutável. O que importa é estar aí. E, para acompanhar tudo que assisto, é só seguir no Letterboxd ;D.
10º Chainsaw Man – O Filme: O Arco da Reze – Tatsuya Yoshihara
Foi o ano mais fraco para animações desde que me lembro por gente — pensem que, em 2023, tivemos O Menino e a Garça, Aranhaverso 2, Robot Dreams e até Elementos, todos juntos, e agora, em 2025, o provável vencedor do Oscar na categoria será K-Pop Demon Hunters. Um bom filme, mas, caras…
Nisso, coube a uma franquia japonesa a tarefa de dar algum respiro ao estilo. E não, ele não veio do super-hypado Kimetsu, e sim do homem-motosserra.
“Difícil encontrar uma trama mais absurda que a de Chainsaw Man: um homem que se torna um híbrido entre humano e um demônio-motosserra. A obra, inclusive, parece flertar com o choque pelo choque, dentro de um estilo over the top onipresente tanto em seus acontecimentos quanto no comportamento de seus personagens, chegando a soar até irritante. Debater as razões do sucesso do mangá de Tatsuki Fujimoto é uma tarefa um tanto inútil e especulativa, a não ser que se faça, de fato, uma pesquisa para tal. Se formos, entretanto, filtrar pelo grosso da fanbase brasileira, fica uma impressão negativa — muito por conta de uma infame scan lançada antes da publicação oficial, que se popularizou ao ponto de gerar críticas e linchamento digital aos responsáveis pela dublagem oficial do anime, que buscava, obviamente, fidelidade e seriedade, não o descompromisso e a descaracterização da versão de fãs.”
09º Hamnet: A Vida Antes de Hamlet – Chloé Zhao
E pensar que quase perdemos Zhao para a Marvel — num filme subestimado de quem tentou algo diferente, apesar das mordaças. Mas é bom saber que a diretora conseguiu se recuperar, tanto artisticamente quanto em apoio de estúdios e realizadores — Steven Spielberg e Sam Mendes estão na produção deste, afinal.
Hamnet é um filme de valência em meio a uma trama introspectiva. Ele consegue evitar a manipulação emocional e entrega, por meio de Jessie Buckley, a melhor atuação em um ano de soberbos trabalhos de atores, além de uma potencial melhor cena dramática do ano. É uma interpretação, como disse seu colega de elenco, Paul Mescal, para ser estudado em escolas e aspirantes de atuação.
Lembro que passei o filme refletindo sobre o porquê de assistirmos a algo assim, tão triste e desolador. E o filme, como se antevisse o mesmo pensamento, dá a resposta em sua apoteótica cena final. É por isso que amamos a arte.
08º Avatar: Fogo e Cinzas – James Cameron
O espetáculo do ano. Mas não é só isso.
“O cinema blockbuster americano murcha. Acumula fracassos financeiros e, sobretudo, criativos. Estúdios amordaçam grandes mentes em obras anêmicas, descoloridas, previsíveis e robóticas. Cameron, mesmo com condescendência e tantos defeitos, ainda é um autor. E dos bons. Orgulhoso, determinado, visionário e apaixonado. E tudo isso vemos em tela aqui, neste incendiário retorno à Pandora. Sempre, sempre vale a pena parar para ver o que alguém assim tem a dizer. Ou mostrar.”
07º A Única Saída – Park Chan-Wook
O filme é de uma engenhosidade tão caprichada e calculada entre direção e montagem que deixa uma certa saudade do Park mais selvagem da trilogia da vingança. É como se ele tivesse chegado a um domínio tão grande da técnica que ela se tornou completamente exata. Ainda assim, um deleite de se impressionar com a realização de certos takes e transições.
O filme, uma comédia de erros — ou seria uma tragédia? —, transita entre o comentário deprimente sobre o descarte humano no sistema capitalista e a desumanização do ser pela IA. Muitos filmes serão feitos sobre o tema; poucos, tão elegantes, precisos e impactantes.
O espelho entre a cena inicial, tão perfeita, e a fragilmente exposta no final — onde teoricamente tudo voltou ao que seria, mas também tudo mudou.
É tudo como uma dança, tão perfeitamente fluida, da completa destruição do homem pela máquina. Só resta se unir a ela e negar os seus.
06º O Agente Secreto – Kléber Mendonça Filho
“O Agente Secreto é um filme que brinca com expectativas do início ao fim, a começar pelo título. Uma direção e escolhas de um cineasta em completo domínio e confiança no que quer contar. E como. Sem se interessar pelo convencional, Kléber parece ter dirigido e juntado repertório em sua carreira até aqui para reunir habilidades para realizar seu novo filme — o que quer dizer muito, considerando o alto nível de sua filmografia.”
05º Extermínio 3 – Danny Boyle
A surpresa do ano. É caótico, disruptivo e causa uma estranheza monumental que pode ter sido divisiva, mas o tornou tão marcante. Estou muito ansioso para as sequências.
04º Uma Batalha Após a Outra – Paul Thomas Anderson
Acredito que vá abocanhar o maior número de Oscars em 2026 e, basicamente, ser o filme do ano. E será justo. Paul Thomas Anderson é um dos maiores de todos os tempos e entrega uma obra que, apesar de não ser sua definitiva, define muita coisa do mundo contemporâneo. Com humor e tensão. Aliás, que ano para o humor em longas mais “sérios”. Tanto este quanto O Agente Secreto e A Única Saída se valem muito da comédia para embalar temáticas graves.
03º Valor Sentimental – Joachim Trier
Fica difícil vender alguns filmes pela plot. Sentimental Value, no original, fala sobre uma atriz iniciante que é convidada pelo pai ausente a protagonizar um filme biográfico na própria casa em que a família cresceu. Ela recusa, o pai convida uma atriz americana para o papel e, então, lidamos com os conflitos e interações decorrentes disso. É básico. Mas é real. E Trier, um mestre das emoções humanas, faz um conto sensível e melancólico sobre arrependimento, perdão e amadurecimento. Nem tudo sara, e seguimos assim.
02º Sonhos de Trem – Clint Bentley
Um dos filmes definitivos do everyday man. Apesar de lembrar muito Malick, possui um senso mais objetivo e menos etéreo, ainda que dentro de um terreno meditativo e contemplativo. Talvez um Malick no auge. Consegue ser tocante sem ser apelativo, dramático sem ser meloso. Me peguei em lágrimas em momentos completamente mundanos.
Sou contra uma idealização do precário. Mas o que seria possível fora imaginar Sísifo feliz? Fora o divagar sem resposta sobre mortalidade e passagem do tempo.
Fotografia soberba. Trilha sonora magnífica. Um filme que merece a tela grande, mas é uma pena que a maioria o conhecerá pela Netflix, em segundo plano, enquanto mexe no celular. Fico abismado como pouco se escuta dele nas premiações.
01º Pecadores – Ryan Coogler
Daqueles filmes que nos lembram o que é o cinema de verdade. Nos tira do torpor e da anestesia que consomem na monotonia da rotina — ou do cinema contemporâneo blockbuster em seu modus operandi de mesmice, falta de criatividade e ousadia, até mesmo nas boas intenções.
É fascinante que, mesmo destituído de suas camadas mais complexas, seja um exercício de gênero surpreendente, magnético e conduzido com maestria pelos dois Michael B. Jordan. Acariciado por conhecimentos prévios, discursos e metáforas, torna-se um deleite sinestésico, intelectual e catártico. Tudo isso filmado com elegância e uma disciplina mestra de quem está em pleno domínio de seus poderes.
De vez em quando, mesmo em um conto não exatamente feliz, precisamos ser recordados do melhor que o mundo tem — do que estar vivo proporciona. Pecadores faz isso. E mais ainda: deixa lições e discussões, não apenas um passatempo vazio. A melhor maneira de trazer um debate à superfície, com elegância e inteligência.
Melhores de Outros Anos
Apesar de ter concentrado minha experiência em filmes de 2025, já que passei quase metade do calendário sem uma TV e não costumo ver filmes por notebook ou celular — ou seja, dependendo do cinema e de seus lançamentos —, ainda consegui assistir a um material prolífico do passado. Além, é claro, do extenso ciclo de relançamentos, cada vez mais comuns no cinema, mesmo fora de grandes centros.
Pude assistir ao hilário e caótico O Homem que Copiava em sessão comentada pelo realizador, Jorge Furtado — um momento e tanto. 2025 não teve Scorsese inédito nas grandes telas, mas teve para mim, com o complexo e rico A Última Tentação de Cristo, um filme tão meditativo quanto devoto, que só encontra alguma polêmica pelo culto obtuso que não consegue interpretar e apenas segue dogmas.
Não inéditas, mas emocionantes, arrebatadoras ou inesquecíveis, foram os relançamentos aos quais tive acesso. Minha primeira exibição com orquestra ao vivo foi no clássico Tubarão, também comemorando seus 50 anos, com o privilégio de ouvir o arrepiante tema de John Williams no teatro.
Privilégios frequentes, aliás, que foram desde Jurassic Park — um bucket list e um de meus filmes favoritos —, o inigualável Fogo Contra Fogo e, em seu esplendor, Princesa Mononoke, que me proporcionou um momento tão divino e mágico no cinema que poderia ser minha última sessão com gratidão. Em uma sala com público respeitoso e boa qualidade técnica, o audiovisual aflora seu maior potencial. E mesmo uma obra que você já consumiu tantas vezes revela novas facetas.
Melhores de 2024 que só assisti em 2025
Devido ao calendário curioso — para não dizer tosco — de lançamentos nacionais, também só pude ver alguns longas premiados de 2024 neste 2025. O mestre japonês Kiyoshi Kurosawa segue imparável e, mais uma vez, consegue trazer suas temáticas de solidão, incompatibilidade e desconexão pessoal da vida moderna em um thriller desconfortável e direto em Chime.
Sing Sing é uma aula de empatia e redenção, com algumas das melhores atuações do ano, enquanto O Brutalista, que rendeu o segundo Oscar de atuação principal a Adrien Brody, é uma epopeia presunçosa, mas também enigmática e magnética na narrativa de seu personagem principal.
E, mesmo assim, talvez nenhum deles se compare ao brasileiro Oeste Outra Vez, protagonizado por Babu Santana e Ângelo Antônio: um faroeste nacional sobre a desolação e o silêncio que consomem o homem nas agruras do mundo, como se clamando por conflito e desgraça. Tem, além de tudo, uma das fotografias mais consistentes, belas e aturdidas do ano.
Menções Honrosas
São muitos filmes por ano, e não estar no ranking principal não denota desqualificação ou demérito — apenas algum grau de inferioridade em relação ao que de mais extraordinário tivemos.
F1 pode ser um pouco caricato e previsível, mas oferece o que o cinema-espetáculo pode ter de melhor, subjugando a narrativa a uma técnica impressionante para fazer o ronco dos motores dos carros do circuito parecerem feras indomáveis, que persuadem e provocam uma adrenalina alucinante até mesmo neste que vos fala, pouco interessado em carros.
O ano foi fraco para animações e, apesar de eu ser mais módico no entusiasmo, é inegável o impacto de Guerreiras do K-pop, ainda que eu ache que a plot não acompanhe o brilhantismo do conceito e da animação. O mesmo vale para Weapons, com o deplorável título nacional de A Hora do Mal. Não o considerei a declarada obra-prima, mas é indiscutivelmente um longa que sabe trabalhar tanto a ambientação de claustrofobia e a insuportabilidade da protagonista perante a situação quanto a discussão mais subjetiva que a trama traz — tudo isso sem um excesso de autoimportância. E, é claro, com a atuação de Amy Madigan.
Foi um ano precioso para filmes-conforto, como Eternity, Good Fortune e Life of Chuck, e talvez nenhum tenha ressoado tanto comigo quanto o doce Rental Family, que leva Brendan Fraser ao Japão como um ator fracassado que entra em uma companhia que lhe oferece a possibilidade de interpretar… membros familiares — especialmente aqui, mas não somente, o pai de uma garota.
O cinismo moderno, da idade e a fadiga de tantos filmes em mente impedem uma emoção mais honesta que eu poderia sentir, mas a diretora Hikari consegue mesclar o isolacionismo e a frieza da sociedade nipônica com um povo que clama por atenção, sentimentalismo e companheirismo em tantos níveis. Fraser está encantador e tocante. Merecia melhor sorte nas bilheterias.
Se formos falar de blockbusters, num mundo que se acostumou a viver sem longas de super-herói decentes após uma safra que parecia depender e se resumir somente a isso, 2025 até que ofereceu um recomeço. Quarteto e Thunderbolts tiveram seus charmes e acertos, mas o respiro mesmo foi o Superman de James Gunn, que, mesmo mergulhado em CGI, trouxe uma humanidade e um carisma perdidos ao filho de Krypton, focando em suas fragilidades, história e relações para dar mais impacto à sua faceta heroica. Fiquei animado para o futuro.
Já na extensa batalha de Alien vs. Predador, foi o Yautja quem levou a melhor neste ano, em mais um êxito de Dan Trachtenberg no comando da franquia, em um projeto um tanto teen, mas frenético, divertido e com coração. Ter um doblete de Elle Fanning também não prejudica.
Decepções
Alguns filmes ficaram de fora da lista por, como sempre, eu não ter conseguido conferi-los, seja por falta de tempo ou de acesso — longas como Marty Supreme, Blue Moon, Sorry, Baby, O Testamento de Ann Lee, entre outros.
Outros, entretanto, apenas me decepcionaram. Estou bastante entediado com o cinema adolescente e “causador” de Lanthimos e, fora a grande atuação de Jesse Plemons, Bugonia pouco me despertou interesse. Após ter amado o primeiro Wicked, esperava um espetáculo caloroso e épico nesta sequência, que foi uma grande barrigada: vazia e apressada, em nada lembrando a alma e o vigor da primeira parte.
E, como fã de horror, ouvir tantos espantos sobre Bring Her Back, após ter curtido o longa antecessor dos diretores, Let Her Talk, foi empolgante — empolgação que se extinguiu conforme o filme avançava, desinteressado em desenvolver sua mitologia e em atribuir alguma estética macabra fora do convencional a uma história que se torna supérfluo e apegada a um choque barato.
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E é isso. Quais foram seus favoritos de 2025? E que 2026 nos traga muito mais grandes filmes.

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